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2 de Agosto de 2021

Sistema chileno de aposentadoria Cap.2. Liberalismo sem controle estatal gera abusos.

No final alguém sempre ganha...

há 2 anos

Veja o gráfico pra se orientar nos anos. neste capitulo chegaremos ate 2007.

Prezados leitores, voltando ao nosso assunto sobre os presentes ofertados pelas AFP’s aos contribuintes destas instituições, você deve estar se perguntando, presentes? Como assim?

É... as AFP, verdadeiras empresas privadas, lucravam tanto no final do ano, que para atrair mais contribuintes, ofereciam presentes, incluindo bicicletas, televisões, dinheiro em espécie, dos mais variados montantes, inclusive, e você não vai acreditar, favores sexuais aos trabalhadores.

Uma verdadeira Sodoma e Gomorra previdenciária!

Para entendermos melhor esta situação extravagante, no mínimo, é como se você, contribuinte do Regime Geral da Previdência, fosse um dia ao INSS e o atendente te oferece-se os mais variados itens para que vocês troque de Regime e migre para a previdência privada, com a promessa de uma aposentadoria melhor no futuro.

Essa era a famosa capitalização à chilena da década de 90, onde a previdência privada era um verdadeiro laboratório, onde as cobaias eram os contribuintes registrados das mais variadas categorias, incluindo operários dos mais baixos escalões até os mais altos degraus na hierarquia social chilena.

Ninguém sabia o que estava acontecendo nem o que aconteceria.

Após toda esta patifaria, presentes exacerbados, zero controle estatal, as administradoras das AFP’s precisavam encontrar um novo mecanismo para gerar mais dinheiro, mas não para o contribuinte, para eles.

Neste tempo, estas instituições copiam o famoso sistema das “TAXA DE ADMINISTRAÇÃO E COMISSÕES”, importada diretamente dos seus primos distantes, os bancos.

Mas o que isto quer dizer? Quer dizer que, agora você, além de ter que contribuir obrigatoriamente todo mês seus 8% (na época), caso existisse lucro no final daquele mês, seria cobrada uma taxa de administração de 2% acrescida de uma comissão de 3%.

Até aí, tudo bem. O grande problema residia no fato de que, mesmo que você perdesse dinheiro no mês, por um negócio feito pela própria AFP, você deveria pagar a mesma taxa de 5% (Taxa administração. + comissão).

As justificativas dadas pelas AFP’s para essa cobrança, eram esdrúxulas, por exemplo, alegavam que precisavam de uma equipe capacitada para analisar o mercado e atender os clientes da melhor maneira.

Isto seria o equivalente a você ir numa loja, comprar seu produto, e no final, na sua nota, apareceria uma taxa de administração, pelo simples fato do dono do local precisar de um vendedor para realizar o atendimento. Sim, você precisaria pagar uma comissão para o vendedor da loja, somente por ser atendido.

Assim, desde 1998, os contribuintes deveriam pagar estas taxas e comissões.

Como o volume de dinheiro que entrava nas administradoras era mastodôntico, precisava ser alocado em algum lugar, e esse lugar eram as empresas de renome, tradicionais e gigantescas no Chile, porque estas representavam uma segurança na hora de investir no mercado acionário.

O que aconteceu na sequência, foi algo devastador, as empresas de grande porte, graças à constante injeção de dinheiro através das ações compradas pelas AFP, começaram a aniquilar as pequenas empresas e o produtor individual, criando-se um monopólio que perdura até hoje.

E não para por aí, após um tempo, as AFP’s tiveram permissão para poder investir no exterior, no começo, como qualquer investimento, começaram timidamente, mas no ano de 2001, virou um verdadeiro frenesi, criando-se o modelo perfeito de investimentos.

Em síntese, caso a AFP perdesse dinheiro, o trabalhador contribuinte deveria MESMO ASSIM pagar suas taxas de administração e comissões.

Portanto, a lição é simples, a AFP perde, ela ganha, a AFP ganha, ganha mais ainda.

Após alguns anos, 10 para ser mais específico, o povo trabalhador começou a empolgar-se, porque o sistema começou a funcionar, mesmo tendo que arcar com os custos de administração.

Vale ressaltar, que aquelas taxas nunca foram divulgadas pelas AFP’s, portanto, o contribuinte não sabia porque nem quanto era descontado cada mês da sua contribuição.

Surgem então, algumas pessoas que começaram a perceber este descaso com o contribuinte e fizeram duras críticas ao sistema, ao ponto que, o Governo do Chile obrigou as AFP’s a mostrarem, nos extratos mensais, quanto eram os custos de administração e as comissões cobradas.

Sem dúvida alguma, o trabalhador chileno não curtiu o que viu, se surpreendendo com o montante de algumas das instituições que existiam na época.

Graças a isto, todas as AFP’s começaram a reduzir suas taxas para atrair mais e mais contribuintes, chegando, em algumas situações, a zerar ditas taxas.

É uma verdadeira conquista do contribuinte chileno, que passou a comparar as diferentes taxas ofertadas por estas instituições, podendo escolher qual era a mais benéfica nesse momento, e trocar caso for necessário.

Em resposta, as AFP’s começaram a aprimorar sua eficiência, para reduzirem custos e aumentarem os ganhos no final do mês.

Isto acarretou a tomada de decisões arriscadas por estas instituições, uma vez que a cobrança e fiscalização por parte da Administração pública era escassa e quase inexistente, tomando, muitas vezes, riscos desnecessários que traziam fortes consequências aos contribuintes.

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